
Quem nunca ouviu aquela famosa dica de posto de combustível: “Chefe, a água do radiador está um pouco baixa, quer que eu complete?”. Na pressa do dia a dia, muitos motoristas aceitam e deixam completar o reservatório com água de torneira comum ou, pior ainda, com aquela “água rosa” barata de galão que na verdade é apenas água de torneira com corante.
Esse pequeno hábito, que parece inofensivo e custa quase nada na hora, é o responsável direto por destruir sistemas de arrefecimento inteiros, travar válvulas de segurança e gerar prejuízos que passam facilmente dos R$ 3.000,00 em retíficas de cabeçote.
Neste artigo do Inviccar, vamos te explicar a física por trás do funcionamento do líquido de arrefecimento, os perigos reais do cloro e dos minerais da água comum e como você deve usar o aditivo de radiador correto para manter seu motor rodando frio e seguro.
Não se pode usar água de torneira no radiador porque ela contém cloro e minerais (como cálcio e magnésio) que, sob alta temperatura, geram calcificação e corroem as peças de metal do motor. Além disso, a água pura ferve a 100C°, uma temperatura facilmente superada pelos motores modernos, o que faz a água evaporar rapidamente, deixando o sistema seco e superaquecido.
O líquido correto é uma mistura exata de 50% de aditivo concentrado (à base de Etilenoglical) 50% de água desmineralizada pura.
Diferente do que muita gente pensa, o aditivo de radiador não serve apenas para deixar a água colorida ou evitar que o bloco de ferro enferruje. A função dele é alterar as propriedades físicas da água através de um composto chamado monoetilenoglicol.
Veja como essa química de bastidores acontece debaixo do capô:
Usar apenas água comum de torneira dá início a um processo silencioso de destruição interna do seu motor. Os minerais presentes na água reagem com o calor do motor e criam uma crosta de calcificação (parecida com aquela sujeira que fica no fundo de bules de chá antigos).
Essa sujeira gera três falhas graves em cadeia no seu veículo:
A ferrugem começa a se soltar do bloco do motor e viaja pelo sistema. Ela entope as finas colmeias de alumínio do radiador e destrói o rotor da bomba d’água. Sem circulação, o motor esquenta e derrete a junta do cabeçote.
Em carros modernos com câmbio automático (como a linha Jeep Renegade, Compass e Fiat Toro), a corrosão fura o trocador de calor interno. A água ácida se mistura com o óleo da transmissão, destruindo o câmbio e gerando um prejuízo assustador de R$ 8.000,00 para conserto.
A ferrugem e a sujeira sobem para o reservatório de água e se acumulam na tampa do reservatório de expansão. Essa tampa possui pequenas válvulas internas que controlam a pressão do sistema.
Se a válvula central travar fechada por conta da ferrugem, o sistema cria pressão negativa quando esfria. Sem conseguir puxar ar de fora, o vácuo faz com que a mangueira do carro murche e estrangule, cortando o fluxo de água quando você ligar o veículo novamente.

Para não errar na manutenção, siga essas três regras de ouro das oficinas especializadas:

E lembre-se: se o nível de líquido do reservatório estiver baixando constantemente, não fique apenas completando. Isso é sinal de vazamento no sistema! Leve o carro a uma oficina para realizar um teste de pressão e encontrar o vazamento.
Cuidar do sistema de arrefecimento do seu carro é uma questão de disciplina. Trocar todo o líquido de arrefecimento e colocar uma tampa do reservatório de expansão nova de qualidade a cada 2 anos custa muito pouco, mas garante que o motor do seu carro trabalhe com a temperatura perfeitamente controlada, rodando com suavidade e economia.






